Processos de Computação - comentário aos trabalhos realizados
O trabalho realizado na disciplina teve dois momentos principais:
- Programação de um portal correspondendo a ficha de aluno, agregação de informação, apresentação de trabalhos. Neste trabalho foram aplicadas técnicas CSS e manipulou-se o DOM do navegador Internet com alguns métodos javascript. Foi também abordada a problemática da imagem digital através da fotografia.
- A representação de projecto através dos processos digitais. Este período permitiu a estabelecer as técnicas de solução gráfica para a representação de projecto, usando o Autocad como standard, e abordar a maquete digital, a modelação e exploração 3d de modelos de projecto.
Assumiu-se que do ponto de vista dos recursos computacionais, o próprio paradigma da maquete digital encontra-se em transformação profunda suscitada pela aplicação Goggle Earth, pela Internet e pela comunidade Google de uma forma geral.
O pretexto para este exercício foi a questão:
- Até que ponto é que as ferramentas e informação existentes sobre a Internet permitem superar a experiência do acesso físico a um local de projecto.
Foi equacionada uma área de intervenção no Alto Alentejo, sendo o tema de projecto suscitado pela acção de percorrer essa área interligando lugares paradigmáticos.
Os trabalhos realizados foram geralmente muito bons, suscitando os seguintes comentários.
- A apresentação da informação recolhida nem sempre reflectiu de modo evidente e íntegro a dinâmica do pressuposto inicial, a acção de percorrer o território. Por vezes não parecia suficientemente orientada para esse objectivo, de interligar pontos notáveis, assumindo uma forma indiferenciada face a ele.
- A representação e a dinâmica de projecto adoptada pelos grupos, revelou-se particularmente eficaz perante a evidência da forma física e lógica do percurso. Ao nível da planimetria o trabalho realizado pelo grupo composto pela Diana Menino, João Beleza Freire, José Maria Souto de Moura e Mariana Gama é muito conseguido.
Enquanto concretização de projecto, também os trabalhos que enfatizaram o percurso como existência física são os de maior sucesso: o de Inês Passos, Luísa Taquenho e Mariana Santana, e o de Sílvia Santos.
Outros trabalhos, ao nível do projecto, demonstraram ser opções plausíveis: o de Lúcia Cruz tem uma volumetria suficientemente elaborada e contida, com uma conotação vernácula e uma sequência de espaços exterior/interior capazes de interpelarem o utilizador; as pequenas janelas atrás já são mais banais e menos prováveis. O trabalho de Nelson Ferreira pode ser um desenlace interessante na ligação com o rio, levando-nos numa volta em cotovelo através da qual despertamos para a paisagem, ao mesmo tempo que propõe um compasso de espera na forma que dá ao espaço que se alarga.
O equipamento de apoio a embarcações proposto por Teresa Blanco é também interessante como ligação entre a presença física da caixa e a sua diferenciação pela cor e pela madeira; este trabalho suscita uma outra reflexão, agora de sinal contrário e extensiva a muitos outros.
Existe alguma falta de maturação e pertinência entre uma função genéricamente assumida, e a sua forma concreta naquele local. Esta observação pode levar à conclusão de que a resposta à questão inicial é negativa, isto é, de facto é fundamental aceder ao local de intervenção, numa postura do "concreto, com os pés terra", enfrentando o problema de projecto com o envolvimento da acção motora e perceptiva. Este comentário é suscitado pela forma genérica dada aos pontões no projecto referido, como um estereotipo, a qual na prática pode inviabilizar a sua utilização em função de um curso de água com pequeno caudal, ou de pouca água. Conviria olhar para outras soluções porventura mais simples e directas, da cultura popular. A torre de observação porposta por
Mafalda Castro Rosa é outro exemplo deste facto. Contesta-se aqui o interesse de colocar uma estrutura que prolonga a geografia em altura, num local que é ele próprio alto e escarpado.